
Por Evelyn Carvalho
A manhã do último dia do CONARH 2012 contou uma palestra magna do Secretário de Estado de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame. Durante a apresentação, que teve como tema “A Força da Estratégia e da Liderança”, o secretário abordou a sua experiência e a sua visão sobre a gestão pública.
A trajetória profissional de Beltrame teve início há 30 anos na Polícia Federal, onde atuou como agente e delegado. Em 2007, após o convite do governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, assumiu a pasta de Segurança. “Pensei: ‘se eu vim até aqui eu vou tentar ser gestor disso’. Eu não poderia perder esta oportunidade”.
Conquistar a credibilidade da população e obter resultados que pudessem ser percebidos pelas pessoas foram dois de seus primeiros objetivos quando assumiu a secretaria. “O serviço público precisa de resultados com transparência”, declarou. Como um gestor, o secretário mantinha ainda a atenção com a sua postura, na medida em que suas ações impactavam na imagem que a sociedade tinha da corporação.
Beltrame destacou a importância do investimento na formação dos policiais, que estão na ponta do processo. Mais do que isso: afirmou que é fundamental entender o contexto social e familiar dos profissionais para engajá-los em seus projetos. “É preciso fazer um esforço, até mesmo físico, para mostrar a todos da corporação as suas ideias. Eles podem não concordar, mas vão me entender e ver que o meu coração bate como os deles”.
A habilidade para buscar as pessoas certas para dar início aos projetos também foi lembrada pelo secretário. Foi assim que ele se preparou para dar início ao projeto das UPPs – Unidades de Polícia Pacificadora, que mudaram o cenário de violência no Rio de Janeiro. “Nós fomos onde o Estado nunca tinha ido. Levamos a polícia, mas os serviços públicos têm que vir junto”.
Quando perguntado sobre a preocupação com os grandes eventos que serão sediados no Rio de Janeiro, o secretário declarou que, mais importante do que garantir a segurança durante a Copa do Mundo ou as Olimpíadas, é necessário se preocupar com quem vive na cidade. Um plano consistente de segurança, segundo ele, seria um dos legados mais importantes que esses eventos podem deixar para a população.
Para dar conta de todos esses desafios, Beltrame não abriu mão do otimismo. “Ser pessimista é muito mais fácil do que ser otimista. O pessimista se acomoda com a situação, enquanto o otimista fica se cobrando 25 horas por dia por uma solução”.
O secretário defendeu a utilização de uma política transparente de resultados na esfera pública. Afirmou que, tanto para preparar um sucessor quanto para incorporar profissionais na equipe, a melhor maneira é estruturar as ações em um projeto mais amplo e claro para todos. “Um pessoa que chegar hoje à secretaria, em qualquer área, encontrará um projeto. Basta ela ser otimista e acreditar neste projeto para que ela possa fazer a difereça”.
Fotos: Ana Fuccia
