AS MULHERES E OS NEGÓCIOS

Por Leyla Nascimento*

Entre prós e contras, e alheio a qualquer opinião, o calendário avisa que, oficialmente, hoje é o Dia Internacional da Mulher. Há os que acreditam que, quando o mundo alcançar a igualdade de gênero, não haverá mais necessidade de comemorar a data; há quem defenda que, até lá, a celebração serve como um alerta de que ainda há muito a fazer; e, ainda, uma terceira vertente entende haver grandes conquistas para festejar o dia.

De fato, há. No Brasil, pela primeira vez temos uma mulher na presidência, o que, descontando as divergências político-partidárias, mostra ser um avanço. A participação feminina na gestão do mundo corporativo também vem favorecendo o ambiente organizacional e as tomadas de decisão ganharam atributos de sensibilidade, inteligência emocional e pensamento sistêmico e multifacetado, características predominantemente femininas.

Tudo isso faz parte de mudanças ainda em curso na nossa cultura. Foi preciso vencer as barreiras de que certas profissões eram exclusivamente masculinas e de que política e economia eram “assunto de homem”. Isso vem mudando radicalmente com a maior participação das mulheres quebrando tabus.

Entretanto, uma pesquisa recente da consultoria Grant Thornton mostrou que, no Brasil, as mulheres estão perdendo espaço na linha de frente das empresas: em 2007, 42% dos cargos de liderança eram ocupados por profissionais do sexo feminino, colocando o país em 2º lugar no ranking mundial; em 2009, caímos para o 10º (29%) e, em 2011, para o 21º (24%), entre 39 países. Ainda que estejamos acima da média mundial, de 20%, esse pode ser o sinal de que não podemos esmorecer na crença de que a equidade anda lado a lado com o desenvolvimento de uma nação.

*Leyla Nascimento, presidente da ABRH-Nacional

Anúncios

Informativo da ABRH-Nacional no Estadão 01/03/2012

Perdeu o Estadão desta quinta-feira? Não se preocupe. Aqui está a versão digital do Informativo da ABRH-Nacional com as notícias da associação e uma entrevista com Sara Behmer, CEO da Voyer International e integrante do comitê de criação do CONARH ABRH 2012, que fala como atrair, reter e engajar profissionais competentes. Leia aqui.

Home office é prática cada vez mais difundida no Brasil

O home office tornou-se uma realidade cada vez mais próxima de dezenas de empresas brasileiras. De acordo com uma pesquisa recente do Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic.br), nos últimos anos, o número de empresas que aderiu a essa prática cresceu 25%. Atualmente, uma em quatro empresas utiliza alguma modalidade de home office.

O teletrabalho (nome dado ao home office no Brasil) é maior nas companhias de grande porte. De acordo com o estudo, 62% das grandes empresas com mais de 250 funcionários e 43% das médias entre 100 e 249 contratados disponibilizam o acesso remoto ao seu sistema de computadores.

Porém, nem todo profissional consegue se adaptar a esse tipo de trabalho. Embora o trabalho em casa seja mais flexível, cômodo e menos estressante (não ter que lidar com o trânsito para ir e vir da empresa, por exemplo), muitas pessoas relatam dificuldades de adaptação a esse modelo. É preciso ter organização e disciplina, já que há imensa facilidade de dispersão.  Pensando nisso, o blog da ABRH elaborou algumas dicas para tentar tornar o home office uma experiência ainda mais interessante. Veja:

– Pense no espaço físico e aposte em equipamentos tecnológicos de qualidade
O ambiente de trabalho precisa ser iluminado, confortável e espaçoso. Pense em uma cadeira confortável, com apoio para as costas. Também é necessário ter equipamentos de qualidade. Telefone e um bom computador com internet já são meio caminho andado para o sucesso do trabalho de casa.

– Use roupas adequadas
Não é preciso vestir terno e gravata para sentar-se em frente ao computador da sua escrivaninha, mas é preciso ter um mínimo de noção. Por mais bacana e descolado que seja trabalhar de pijama, essas peças podem acabar fazendo com que o profissional encare o serviço como lazer. Aposte em roupas confortáveis, como jeans e camiseta, por exemplo.

– Cuidado para não ser atrapalhado pelos outros moradores
Tenha um acordo com as pessoas com quem você mora. Faça-as entender que você não está de férias em casa e que o seu lar tornou-se um espaço de trabalho também. Assim, você deixa claro que precisa estar concentrado e focado nas necessidades de seu emprego.

 – Tenha disciplina
Um dos erros mais graves de quem trabalha em casa é achar que não é preciso ter horário para nada e que não existe rotina. É preciso cumprir a agenda de compromissos do dia tal qual o profissional faria se estivesse em um ambiente corporativo.

Como tornar a vaga temporária em efetiva?

Respeitar o horário de trabalho, ter boa comunicação e iniciativa são algumas dicas para obter a efetivação do cargo temporário. De acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário (Asserttem), serão abertas, até o final do ano, cerca de 150 mil vagas. Grande volume das vagas está disponível no comércio, principalmente em shoppings, no entanto, não podemos esquecer que as empresas produtoras também contratam muita gente nessa época do ano.

“Essa é uma ótima oportunidade para quem está em busca da primeira oportunidade no mercado de trabalho, pois, muitas vezes, a vaga temporária não exige experiência”, alerta Cezar Tegon, Diretor de Novos Serviços e Produtos da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-Nacional).

Segundo o executivo, cerca de 30% dos empregados temporários são contratados, efetivamente. “Muitas vezes, a pessoa não é contratada logo que termina o período temporário, no entanto, é muito comum que, ao surgir uma vaga efetiva, a pessoa que mais se destacou no período temporário é chamada para ocupá-la”, explica Tegon.

Alguns comportamentos e ações auxiliam a avaliação do funcionário e podem ajudá-lo em uma possível efetivação. “É importante respeitar o horário de trabalho; não tratá-lo como um “bico”; ter interesse pelas tarefas da empresa e pela própria empresa; ser útil para os outros, desta forma, sentirão a falta do profissional; ter iniciativa, força de vontade, boa comunicação, bom humor e trabalhar como se fosse o primeiro dia no emprego, com a mesma motivação”, indica o diretor da ABRH-Nacional.

Apesar de o currículo ter sido informatizado, muitas empresas pequenas ainda recebem currículo em papel, então, é preciso ter sempre as duas opções em mãos, sem esquecer que o currículo deve ser simples e objetivo. Uma dica que não deve ser desperdiçada, também, é a de procurar sites que oferecem vagas de emprego e fazer cadastro para diversas oportunidades. “Procurar emprego é como se fosse um emprego. Tem que procurar todos os dias”, aponta o Diretor.

Com mais autonomia, funcionários se engajam

Já pensou na possibilidade de colocar os funcionários de chão de fábrica para mostrarem a linha de produção para os clientes ou para acompanharem os auditores dos selos ISO?  Para o gerente Administrativo do Grupo Alubar, a atitude, que pode ser considerada radical, foi saída para buscar o engajamento de funcionários. “Os gestores não deixavam as responsabilidades chegarem até o chão de fábrica e isso desestimulava o engajamento”, explica.

Seguindo a mesma linha de raciocínio na busca pelo engajamento, o gerente de Manufatura para a América do Sul da Volvo, Cyro Martins, conta que os programas de treinamento da empresa passaram por uma reformulação. O conteúdo passou a mostrar todo o processo de fabricação, apontando, inclusive, as conseqüências de eventuais erros. “Equívocos em pequenas peças dos veículos podem causar graves acidentes”, exemplifica.

Para o executivo, existe uma diferença grande entre comprometimento e engajamento e é a segunda atitude que as empresas devem estimular nos funcionários. Segundo ele, quando a equipe está comprometida, ela não vai além do próprio trabalho, enquanto que uma equipe engajada consegue extrapolar as fronteiras e pensar na empresa como um todo.

As ideias foram apresentadas durante o 37º Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas – CONARH ABRH. Ao final do painel, os conferencistas ainda deixaram um recado aos gestores de recursos humanos: É preciso gostar de gente, estar atento aos negócios da empresa e ser o exemplo.