“Por que alguém desejaria trabalhar na sua empresa?”

Por Jessica Marins

Este foi o tema da palestra da professora da PUC-MG e Consultora Betânia Tanure e do CEO mundial do Great Place to Work José Tolovi Jr. Uma pergunta que pode te fazer pensar sobre o que você está fazendo de certo e errado para atrair novos talentos.

José Tolovi marcou a apresentação dizendo que se todos os colaboradores estiverem em sintonia com a empresa e que se a empresa foi hiper transparente, a diferença na forma de gestão que temos no Brasil para os demais países poderá diminuir. “O colaborador brasileiro tem medo de dizer não ao seu superior, medo esse que não deveria existir”, disse Tolovi.

Betânia Tanure abriu o seu discurso com uma dica. “Uma empresa boa para se trabalhar é aquela em que se confia na gestão, onde pessoas são tratadas como pessoas e não como recursos”, explicou Betânia.

Ela falou também sobre a importância da transparência na hora do processo seletivo, disse que mesmo que demore um pouco mais do que o comum para uma contratação o ideal é mostrar ao inscrito no processo o lado sol e o lado sombra de sua empresa. Além disso, expôs alguns conceitos desestabilizadores como o teatro organizacional nas empresas, onde a confiança é inexistente entre os colaboradores, o zigue zague que as empresas fazem e deixam os funcionários caminhar por áreas desordenadamente e o paradoxo entre o limite do individuo contra o limite da organização.

A professora também falou sobre o quanto é relevante que o funcionário saiba claramente qual é a maneira de gestão de forma sincera sendo ela boa ou ruim e cabe ao funcionário entender e ouvir com sinceridade.

Para finalizar a palestra, a consultora fez todos os espectadores pensarem em sua forma de gestão, onde existe os gestores (agri) e os líderes (doces) aconselhando que o ideal para uma boa administração é ser agridoce, pois o agri é aquele que fala não quando preciso, demite, toma decisões sem se sentir culpado ou mal por isso, enquanto o líder é o doce que procura uma maneira menos agressiva de trabalhar e tem alguns medos, por isso ela sugere o equilíbrio na hora da gestão onde você será um dirigente.

Além disso, outra maneira adequada e superior de gestão é Estadista, onde o gestor consegue olhar em outra dimensão, ele observa o sucesso do individuo, da organização e da sociedade. “O segredo para que as pessoas queiram trabalhar na sua empresa é que você como gestor torne o ambiente de trabalho dela agradável, assim os colaboradores irão querer bem a empresa”, finalizou Betânia Tanure.

Fotos: Eduardo Ramalho

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Conferencistas discutem oportunidades para fortalecimento da relação entre CEO’s e diretores de RH

Conquistar a confiança de presidentes e CEO´s de empresas é um dos principais desafios para vice-presidentes e diretores de Recursos Humanos (RH). O tema foi posto em discussão hoje,  durante o 37º CONARH ABRH. Segundo pesquisa conduzida pela professora da PUC-MG, Betânia Tanure, apenas 11% dos presidentes de empresas estão satisfeitos com o trabalho de seus diretores de RH. Ela aponta quatro palavras chaves para reverter a situação: competência, coragem, confiança e cuidado com as pessoas.

O vice-presidente de Recursos Humanos e Comunicação Corporativa da Nestlé, João Dornellas, concorda que para conquistar a confiança de presidentes e CEO´s é preciso ter coragem. “Ter coragem significa seguir em frente apesar do medo. Ter coragem para dizer qual o nosso papel na corporação”, completa.  Para o filósofo Mário Sérgio Cortella, esse questionamento deve ser feito diretamente ao CEO para compreender exatamente as expectativas do executivo. Ele ainda sugere que os profissionais de recursos humanos façam um exercício de tentar compreender junto aos CEO´s quais seriam os gargalos para a empresa caso a área de recursos humanos não existisse.

Na esteira dos pontos levantados pelos conferencistas durante o painel, o consultor César Souza acrescentou que o CEO deve ser tratado como cliente. De acordo com ele, o tratamento diferenciado auxilia o diretor de RH a entender as reais necessidades do líder da empresa. Para ele, os gestores de recursos humanos precisam extrapolar os muros da própria área para atender às necessidades da empresa.

O consultor cita os problemas que as empresas enfrentam com a qualidade de atendimento para exemplificar como o gestor de RH deve pensar. “Cerca de 63% da perda de clientes ocorre por conta da má qualidade de atendimento. Pensar no cliente é responsabilidade do porteiro ao presidente de uma empresa. O RH deve cuidar para colocar na linha de frente pessoas aptas a encantar os consumidores. Ou seja, pensar no cliente não é papel apenas da área de vendas, também é responsabilidade do RH”, explica Souza.

Dornellas acrescenta que para que essa mudança de cultura ocorra, o gestor de RH deve acompanhar de perto a elaboração de estratégias das empresas. De acordo com o executivo, a participação desde o início do processo permite ao profissional de RH definir previamente as competências necessárias para executar cada ação proposta gerando os resultados esperados pelos líderes. Ele ainda acrescenta: “Para conquistar a confiança dos líderes, temos que primeiro conquistar a confiança dos nossos pares”.

Para finalizar o debate, a pesquisadora Betânia Tanure pontuou quatro aspectos que servem de oportunidade para os diretores de RH. Em primeiro lugar, sair do papel de zelador das políticas de RH e analisá-las criticamente para relacioná-las às transformações sofridas pelo mundo. Segundo, a área de RH deve ter agilidade de resposta para assegurar a construção de resultados. Como terceiro aspecto ela aponta a janela de oportunidade para formação de líderes e, por último, analisar o tipo de formação oferecida para ancorá-la no futuro e não no passado.