Jovens: infiéis ou determinados?

Por Taynã Almeida

No mercado de trabalho, os jovens podem ser considerados sinônimos de disposição e criatividade. Contratá-los para uma vaga pode se tornar algo promissor para empresa e para o funcionário. Porém, se a companhia não tiver um programa de gestão de pessoas, por exemplo, ela pode criar um cenário favorável à alta rotatividade desses profissionais – o conhecido turnover.

Os jovens são vulneráveis, impacientes, rápidos nas decisões e insatisfeitos. Não pensam “duas vezes” em deixar o trabalho diante de uma proposta financeira melhor. “Normalmente, quando mudam de emprego após pouco tempo de casa, eles o fazem por duas razões principais: melhor remuneração imediata ou porque visualizam uma possibilidade de carreira e crescimento rápido que não estão visualizando no emprego atual”, explica Elaine Saad, vice-presidente da ABRH-Nacional.

De acordo com estudo realizado pela Business School São Paulo e publicado pela Época Negócios em 2008, os  jovens estão  em busca de  carreiras meteóricas  e, se  a  empresa  não dá  sinais  claros  e objetivos  deste caminho, a  tendência é que este profissional saia  logo na primeira oportunidade, ou até sem nenhuma outra oferta de emprego.

Entretanto, Elaine faz ressalvas sobre o ímpeto dos jovens. “Muitos deles têm a fantasia de que encontrarão na próxima empresa um crescimento mais rápido a cargos delegados, uma remuneração mais alta e uma maior valorização. Após o início do trabalho, aparece o desencontro de expectativas, o que pode gerar desmotivação no funcionário”, explica.

É importante que as empresas prestem atenção em seus empregados. Alguns gestos podem alertar insatisfação, como desinteresse pelo trabalho, atrasos, silêncios prolongados em reuniões, falta de sugestões de melhorias e de questionamentos. A rotatividade desses profissionais também pode estar relacionada à gestão de seu líder, uma vez que ele é responsável por desenvolver em conjunto com os jovens o plano de carreira.

Os cursos oferecidos pelas empresas são importantes fatores de retenção de talentos, desde que contribuam para o desenvolvimento real do profissional na função em que ele está. “Cursos ofertados sem um bom plano de desenvolvimento não fazem sentido, são investimentos que podem ser perdidos”, alerta Elaine.  É importante que o chefe administre essa questão com o jovem. Do contrário, ele pode apenas aproveitar a chance de usar a empresa para o seu aperfeiçoamento e levar os novos conhecimentos para outra corporação.

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As certezas do passado ruíram

No passado, nossos pais ou avós tinham certeza sobre o que era uma boa carreira ou um bom casamento. Hoje, no entanto, essas certezas dão lugar a um número quase ilimitado de alternativas. Segundo Leandro Karnal, as pessoas que se recusam a compreender que o mundo mudou acreditam que o fim de um tempo, de uma visão de mundo, se torna o próprio fim do mundo, Veja no vídeo abaixo um trecho da palestra de Karnal no CONARH 2009.