CONARH 2012: Aprendendo com quem é líder pelo exemplo

Por Jessica Marins

O CONARH 2012 trouxe na tarde de ontem dois palestrantes cheios de histórias para contar ao público: o presidente da Nextel Telecomunicações, Sergio Borges Chaia, e a presidente da marca de roupas Dudalina, Sônia Hess.  Eles contaram de uma maneira divertida como conseguiram chegar no cargo em que estão hoje.

Sergio Borges Chaia começou a palestra contando que sonhava em ser jogador de futebol, mas os treinos o impediriam de estudar – ele teria que treinar de manhã e de tarde e sua escola não oferecia aulas no período noturno. Com a ajuda de seus pais, optou por continuar estudando e decidiu então ter outro sonho no qual ele tinha metas , criadas por ele mesmo. Uma dessas metas dizia que ele precisava ser presidente antes do 40 anos, objetivo cumprido aos 37.

Em sua primeira experiência no cargo que tanto sonhou os desafios não foram tão felizes e logo surgiu uma grande decepção. O presidente descobriu que havia muita bajulação e percebeu que seu sucesso foi após espremer laranjas humanas, como ele mesmo define. “Eu fui por esse caminho, pelo propósito errado. Eu era presidente, mas não tinha o reconhecimento das pessoas”.

Sergio declarou que não considera um exemplo de líder e diz que apresentou a palestra para promover uma discussão. “Eu quero gerar uma provocação para os outros gestores repensarem sua forma de governar, e para que se necessários eles possam adequar uma nova maneira bacana de gestão”. Chaia ainda diz que quer ser exemplo de uma pessoa que reconhece as suas fraquezas e luta todos os dias para ser uma pessoa melhor.

Com o microfone em mãos chega a vez de Sônia Hess contar suas experiências. “Ser presidente depende do que você quer e egoísmo de poder não existe”, declarou a executiva. Além disso, Sônia falou também sobre as dificuldades em liderar uma empresa formada por 15 irmãos.

A presidente da Dudalina disse acreditar que é necessário trabalhar a felicidade das pessoas, pois assim elas irão se sentir bem no ambiente em que trabalham e vão ter mais vontade e mais prazer. Hess diz ainda que para fazer parte de sua equipe é necessário que tenha a empresa no coração. “Devem correr nas veias sangue pink, azul, verde… Um de cada cor por dia para não perder o ânimo”.

Sônia enxerga como grande desafio passar para o mercado os valores tão fortes que a marca carrega. “Sonhe um sonho pronto. Sempre que você sonhar algo o enxergue pronto e vá atrás”, aconselha.

Sérgio indica aos novos empreendedores que formem um time de colaboradores que sejam complementares e que se cerquem das melhores pessoas, pois acredita que é preciso saber das fraquezas e fortalezas da empresa. O seu conselho final é “Tudo que você quer do mundo, dê pro mundo. Se você quer ser feliz, proporcione felicidade, se quer uma promoção, antes promova”, afirma o presidente da Nextel.

Fotos: Marcelo Hamamoto

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Informativo da ABRH-Nacional no Estadão 01/03/2012

Perdeu o Estadão desta quinta-feira? Não se preocupe. Aqui está a versão digital do Informativo da ABRH-Nacional com as notícias da associação e uma entrevista com Sara Behmer, CEO da Voyer International e integrante do comitê de criação do CONARH ABRH 2012, que fala como atrair, reter e engajar profissionais competentes. Leia aqui.

Conferencistas discutem oportunidades para fortalecimento da relação entre CEO’s e diretores de RH

Conquistar a confiança de presidentes e CEO´s de empresas é um dos principais desafios para vice-presidentes e diretores de Recursos Humanos (RH). O tema foi posto em discussão hoje,  durante o 37º CONARH ABRH. Segundo pesquisa conduzida pela professora da PUC-MG, Betânia Tanure, apenas 11% dos presidentes de empresas estão satisfeitos com o trabalho de seus diretores de RH. Ela aponta quatro palavras chaves para reverter a situação: competência, coragem, confiança e cuidado com as pessoas.

O vice-presidente de Recursos Humanos e Comunicação Corporativa da Nestlé, João Dornellas, concorda que para conquistar a confiança de presidentes e CEO´s é preciso ter coragem. “Ter coragem significa seguir em frente apesar do medo. Ter coragem para dizer qual o nosso papel na corporação”, completa.  Para o filósofo Mário Sérgio Cortella, esse questionamento deve ser feito diretamente ao CEO para compreender exatamente as expectativas do executivo. Ele ainda sugere que os profissionais de recursos humanos façam um exercício de tentar compreender junto aos CEO´s quais seriam os gargalos para a empresa caso a área de recursos humanos não existisse.

Na esteira dos pontos levantados pelos conferencistas durante o painel, o consultor César Souza acrescentou que o CEO deve ser tratado como cliente. De acordo com ele, o tratamento diferenciado auxilia o diretor de RH a entender as reais necessidades do líder da empresa. Para ele, os gestores de recursos humanos precisam extrapolar os muros da própria área para atender às necessidades da empresa.

O consultor cita os problemas que as empresas enfrentam com a qualidade de atendimento para exemplificar como o gestor de RH deve pensar. “Cerca de 63% da perda de clientes ocorre por conta da má qualidade de atendimento. Pensar no cliente é responsabilidade do porteiro ao presidente de uma empresa. O RH deve cuidar para colocar na linha de frente pessoas aptas a encantar os consumidores. Ou seja, pensar no cliente não é papel apenas da área de vendas, também é responsabilidade do RH”, explica Souza.

Dornellas acrescenta que para que essa mudança de cultura ocorra, o gestor de RH deve acompanhar de perto a elaboração de estratégias das empresas. De acordo com o executivo, a participação desde o início do processo permite ao profissional de RH definir previamente as competências necessárias para executar cada ação proposta gerando os resultados esperados pelos líderes. Ele ainda acrescenta: “Para conquistar a confiança dos líderes, temos que primeiro conquistar a confiança dos nossos pares”.

Para finalizar o debate, a pesquisadora Betânia Tanure pontuou quatro aspectos que servem de oportunidade para os diretores de RH. Em primeiro lugar, sair do papel de zelador das políticas de RH e analisá-las criticamente para relacioná-las às transformações sofridas pelo mundo. Segundo, a área de RH deve ter agilidade de resposta para assegurar a construção de resultados. Como terceiro aspecto ela aponta a janela de oportunidade para formação de líderes e, por último, analisar o tipo de formação oferecida para ancorá-la no futuro e não no passado.