No papel do entrevistador: dicas para realizar uma entrevista de emprego

Se fizéssemos uma lista dos assuntos mais discutidos na internet sobre oportunidades profissionais, com certeza como elaborar um bom currículo e como se comportar em uma entrevista de emprego estariam entre os primeiros. Existem diversas dicas para quem não quer pisar na bola na hora de conquistar uma vaga no mercado. Mas não podemos nos esquecer de quem está do outro lado da mesa, no papel do entrevistador.

Hoje em dia, realizar entrevistas de emprego já não é exclusividade dos gestores de RH. Muitos líderes gostam de conversar eles mesmos com os seus futuros funcionários. Isso pode levar a alguns erros por despreparo, principalmente por não saber exatamente o que precisa ser avaliado em cada candidato ou não saber sentir o quão próximo ou distante o candidato está daquilo que a vaga exige.

É claro que o currículo é um fator que influencia na decisão na hora de contratar um novo funcionário, afinal ele é uma síntese de qualificações e chega primeiro nas mãos do entrevistador, mas é preciso dar atenção à entrevista. “A entrevista é o momento principal do processo de avaliar candidatos, mesmo havendo diferentes tipos de testes, como provas situacionais, a etapa mais importante sem sombra de dúvidas é a entrevista ou o ‘olho no olho’. Neste momento o entrevistador vai ter a oportunidade de saber qual o propósito maior do candidato, se é emprego ou um projeto profissional”, explica Cássio Mattos, presidente do Conselho Deliberativo da ABRH Nacional.

Para realizar uma boa entrevista, Cássio dá algumas dicas sobre quais questões o entrevistador deve focar no candidato. “Devemos começar pelo básico e avaliar se o candidato tem as condições previstas no perfil de competências”. Veja se o candidato demonstra ter uma identidade compatível com os valores da organização e se o seu estilo pessoal e atitudes condizem com o ambiente da empresa, para não contratar um alguém que não consiga se adaptar no emprego.

“Sempre peço ao candidato para me fazer cinco perguntas e não necessariamente darei respostas, quero ver a sua capacidade de pensar”, relata Cássio. Este tipo de teste deixa de lado o óbvio “o que você sabe fazer?” e entra no “vamos ver o que você sabe fazer”, dando ao entrevistador uma ideia do potencial do candidato. “Peço também para que “narrem” os principais gols marcados no ambiente corporativo. Por fim, o que ele não aceita no perfil do seu futuro superior imediato”.

Não cometa erros comuns

Tome cuidado para não cair nos mesmos erros. “O entrevistador falar mais do que o entrevistado é o primeiro. Assim ele perde a capacidade de análise e depois fica com dificuldade em escolher entre os candidatos”, explica Cássio. É preciso estabelecer o diálogo e ouvir mais do que falar. “O entrevistador tentar, mesmo que de forma inconsciente, escolher pessoas a sua semelhança e deixar de escalar um time que se complemente” é o segundo erro apontado por Cássio. Ao contratar muitas pessoas com características iguais, você não consegue montar um time completo que dê conta de todas as competências diferentes necessárias.

Anúncios

O currículo morreu?

Há alguns anos, quando era necessário encontrar um emprego, o candidato listava em um papel as suas competências, estudos e experiências anteriores e saia à caça de uma oportunidade. Com a popularização da tecnologia e o aumento da competitividade do mercado de trabalho, estão sendo criadas novas oportunidades na procura por novas vagas, como os processos seletivos via redes sociais. Seria então o fim dos tradicionais currículos em papel?

De acordo com Cezar Tegon, presidente da Elancers e membro do Comitê de Criação do CONARH, os currículos em papel começam a cair em desuso. “Ele ainda não morreu, mas está agonizando na UTI. As empresas não utilizam o material para nada, apenas empilham em um canto”, explica o consultor. Ele ainda afirma que o envio de currículos pelo e-mail está indo para o mesmo caminho.

Como inovar?

Uma das alternativas para sair da mesmice pode ser o vídeo currículo, um filme em que o profissional apresenta suas competências, conhecimentos e objetivos. Essa prática opção pode até mesmo substituir uma primeira entrevista. “É preciso tomar cuidado com o tempo do vídeo. Não deve ultrapassar 4 minutos”, afirma Cezar.

Outra forma de inovar é apresentar as suas qualificações por meio de um portfólio. “Isso é mais comum em empresas de marketing e projetos, em que o candidato tem que mostrar exemplos de trabalhos”, declara Tegon. Porém, com moderação, esta opção também pode ser adotada por profissionais de outras áreas de atuação.

Apesar de todas as mudanças que listamos acima, Cezar acredita que o currículo não desaparecerá. “As empresas mudaram a forma de recrutar e selecionar, mas em todas elas o currículo é a base principal para a existência e evolução dos processos seletivos”, explica.

De uma forma ou de outra, mantenha seu currículo sempre atualizado. Afinal, nunca se sabe quando uma nova oportunidade de emprego pode surgir.

Experiências internacionais são sempre bem vindas

Por Taynã Almeida

O mercado de trabalho está cada vez mais exigente. Ter uma pós-graduação e saber um segundo idioma já não são novidades. Em contrapartida, experiências internacionais podem contar muito no currículo.

De acordo com o Diretor de Educação da ABRH-Nacional, Luiz Edmundo Rosa, é crescente o número de empresas que atuam no exterior ou possuem linhas de negócios atreladas a mercados globais. Além da fluência em outro idioma, leva vantagem quem conhece outras culturas.

Não é dificil adquirir uma experiência internacional para investir no mercado brasileiro ou estrangeiro. Porém, tudo depende do planejamento. Para Luiz Edmundo, não é só o tempo de viagem que importa, mas o tipo de experiência vivenciada. “Quando planejamos viajar, podemos decidir ficar numa praia descansando ou buscar outros tipos de aventuras e experiências. Há aqueles que optam por programas que combinam fazer um curso e conhecer lugares. Será a qualidade da experiência vivida, e não a duração da viagem que fará a diferença.”, esclarece.

Buscar um emprego no exterior já não é mais tão difícil quanto parecia há alguns anos. Os cruzeiros internacionais recrutam e gostam de contar com brasileiros em seus quadros de colaboradores. A Disney, por sua vez,  contrata pessoas de diversas nacionalidades para trabalho temporário. Há também trabalhos voluntários que são oferecidos por ONGs. “Aqui, o mais importante será a experiência conquistada, o aprendizado ou reforço da língua, da cultura. Consultar o Student Travel Bureau, consulados, sites de ONGs são fontes importantes.”, orienta Luiz Edmundo.

Para o diretor, quanto mais rica é a vivência da pessoa, mais se amplia sua capacidade de compreender e agir no contexto do trabalho. É claro que outros fatores também fazem a diferença, como a formação, experiência e competências específicas para o cargo que a pessoa busca, mas as empresas estão ampliando suas visões na hora de contratação. “Se os fatores básicos são atendidos, conhecer outras realidades e até ter trabalhado fora se tornam diferenciais para a conquista de uma oportunidade de trabalho”, destaca.

À procura de emprego

Por Taynã Almeida

Alguns anos atrás, as pessoas batiam de porta em porta procurando emprego e entregando currículos em papel. Atualmente, algumas companhias disponibilizam em seus sites campos específicos para contratação. O candidato só precisa colocar as informações solicitadas. Entretanto, o currículo impresso ainda é aceito em muitas corporações. Pensando nisso, o blog da ABRH reuniu algumas dicas para ajudar você a montar um currículo atrativo.

De acordo com Cezar Antonio Tegon, membro do Comitê de Criação do CONARH, se o currículo for enviado à empresa por email ou papel, é preciso tomar cuidado com o tamanho. Para não errar, seja objetivo e sempre informe os dados pessoais, contatos, formação e histórico profissional. Não exagere  nem repita informações. Destaque apenas os cursos mais importantes e analise se está relacionado com a área de interesse. Se você fez intercâmbio ou alguma viagem, mencione somente se houver alguma conexão com seu aprimoramento profissional. Tem proficiência em algum idioma? Então não deixe de mencionar.

Contudo, não adianta se atentar a esses detalhes e esquecer a gramática. “Os erros de português causam impressão de formação deficiente e evidenciam falta de cuidado na elaboração do documento, passando uma imagem de desleixo”, alerta Tegon. A dica é fazer uma revisão rigorosa e, se preciso, pedir ajuda de alguém com mais conhecimento. Além disso, informações em excesso ou falta de informações, frases de efeitos ou exageradas e mentiras podem eliminar o candidato do processo seletivo.

Em contrapartida, as empresas que recebem currículos através de formulários vinculados ao site da companhia avaliam se todos os campos foram preenchidos corretamente. Porém, as dicas não fogem muito das que já foram apresentadas. Ter cautela, caprichar na redação e na escolha das palavras são diferenciais.

Se no momento da inscrição for exigido foto, coloque uma que mostre bem o rosto, com expressão aberta e positiva, mas sem exageros. Para mulheres, o ideal é usar uma foto sóbria, sem exposição desnecessária do corpo. Para Cezar, o currículo espelha a trajetória profissional e acadêmica e permite que as empresas avaliem de maneira clara e objetiva o candidato.

As companhias procuram profissionais diferenciados. Sabendo disso, Cezar Tegon explica que, seguindo uma tendência dos jovens profissionais e de várias empresas na Europa e nos Estados Unidos, uma nova forma de receber currículos vem ganhando destaque no Brasil: o vídeo currículo, que chegou para otimizar o tempo do candidato e do entrevistador.  “Nele, o candidato fala sobre sua formação, o histórico profissional e projetos de destaques, com duração média de 2 a 3 minutos”, explica o especialista.

Férias pode ser período propício para alavancar a carreira

 

Por Aline Alves

É possível fazer currículo, network, melhorar o uso das tecnologias e redes sociais ou, simplesmente, viajar para conhecer pessoas e paisagens

O fim de ano passou e você não alavancou a carreira como precisava e queria? Não tem problema. O período de férias pode ser propício para fazer as mudanças que você precisa para conquistar o cargo desejado ou remanejar a carreira.

Heloísa Machado, Diretora de Gestão da Comunicação da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-Nacional) aponta que quando o profissional está insatisfeito com a carreira, o primeiro passo é não pensar apenas no ganho material, mas com o que o profissional se identifica, pois o ganho material, argumento frequente quando se fala em insatisfação com a carreira, é consequência de talento e experiência a serviço da qualidade e da produtividade.

“Férias é um período em que dispomos de mais tempo, principalmente para fazer o que deixamos por último. Então, priorize-se. Visite sites de recrutamento, envie currículos, verifique cursos que podem ajudá-lo, faça network, tente conversar com profissionais com carreira inspiradora, abra a cabeça para alternativas, faça cursos de Verão, além disso, melhore o uso das tecnologias e das mídias sociais disponíveis”, explica Heloísa.

Com a economia aquecida, estamos vivendo uma época propícia para a procura de emprego, no entanto, as vagas disponíveis exigem cada vez mais formação básica (segundo grau completo ou graduação), conhecimentos técnicos e cursos de idiomas.

“E se você achar que seu currículo está ótimo, aproveite o tempo para viagem de férias, pois se traz muita bagagem intelectual e emocional. Viaje para conhecer pessoas e paisagens. Volte maior das suas viagens ou simples passeios. Certamente isto terá um impacto positivo em seu trabalho algum dia”, finaliza a consultora.