Informativo da ABRH-Nacional no Estadão 30/08/2012

Informativo da ABRH-Nacional no Estadão 22/03/2012Perdeu o Estadão desta quinta-feira? Não se preocupe. Aqui está a versão digital do Informativo da ABRH-Nacional com uma matéria a respeito sobre o novo curso de Desenvolvimento de Líderes de RH, resultado da união da ABRH-Nacional, Great Place to Work e Ânima Educação. Além disso, destaque para os ganhadores do Prêmio Ser Humano na modalidade Gestão de Pessoas, categoria Empresa. Confira aqui.

CONARH 2012 – A Força da Estratégia e da Liderança

Por Evelyn Carvalho

A manhã do último dia do CONARH 2012 contou uma palestra magna do Secretário de Estado de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame. Durante a apresentação, que teve como tema “A Força da Estratégia e da Liderança”, o secretário abordou a sua experiência e a sua visão sobre a gestão pública.

A trajetória profissional de Beltrame teve início há 30 anos na Polícia Federal, onde atuou como agente e delegado. Em 2007, após o convite do governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, assumiu a pasta de Segurança. “Pensei: ‘se eu vim até aqui eu vou tentar ser gestor disso’. Eu não poderia perder esta oportunidade”.

Conquistar a credibilidade da população e obter resultados que pudessem ser percebidos pelas pessoas foram dois de seus primeiros objetivos quando assumiu a secretaria. “O serviço público precisa de resultados com transparência”, declarou. Como um gestor, o secretário mantinha ainda a atenção com a sua postura, na medida em que suas ações impactavam na imagem que a sociedade tinha da corporação.

Beltrame destacou a importância do investimento na formação dos policiais, que estão na ponta do processo. Mais do que isso: afirmou que é fundamental entender o contexto social e familiar dos profissionais para engajá-los em seus projetos. “É preciso fazer um esforço, até mesmo físico, para mostrar a todos da corporação as suas ideias. Eles podem não concordar, mas vão me entender e ver que o meu coração bate como os deles”.

A habilidade para buscar as pessoas certas para dar início aos projetos também foi lembrada pelo secretário. Foi assim que ele se preparou para dar início ao projeto das UPPs – Unidades de Polícia Pacificadora, que mudaram o cenário de violência no Rio de Janeiro. “Nós fomos onde o Estado nunca tinha ido. Levamos a polícia, mas os serviços públicos têm que vir junto”.

Quando perguntado sobre a preocupação com os grandes eventos que serão sediados no Rio de Janeiro, o secretário declarou que, mais importante do que garantir a segurança durante a Copa do Mundo ou as Olimpíadas, é necessário se preocupar com quem vive na cidade. Um plano consistente de segurança, segundo ele, seria um dos legados mais importantes que esses eventos podem deixar para a população.

Para dar conta de todos esses desafios, Beltrame não abriu mão do otimismo. “Ser pessimista é muito mais fácil do que ser otimista. O pessimista se acomoda com a situação, enquanto o otimista fica se cobrando 25 horas por dia por uma solução”.

O secretário defendeu a utilização de uma política transparente de resultados na esfera pública. Afirmou que, tanto para preparar um sucessor quanto para incorporar profissionais na equipe, a melhor maneira é estruturar as ações em um projeto mais amplo e claro para todos. “Um pessoa que chegar hoje à secretaria, em qualquer área, encontrará um projeto. Basta ela ser otimista e acreditar neste projeto para que ela possa fazer a difereça”.

Fotos: Ana Fuccia

CONARH 2012 – Alegria, Paixão e Engajamento – Uma Construção Coletiva

Por Evelyn Carvalho

O encerramento do CONARH 2012 foi em clima de apoteose. A última palestra magna do evento foi ministrada pelo carnavalesco da Unidos da Tijuca, Paulo Barros, campeão por duas vezes do carnaval carioca. O tema foi “Alegria, Paixão e Engajamento – Uma Construção Coletiva”.

Barros deixou sua marca de ousadia no já tão consagrado desfile de escolas de samba do Rio de Janeiro. “Acho que o bacana é esquecermos a ideia de começo, meio e fim. É preciso desconstruir para construir algo novo”.

Para mudar paradigmas da festa, Barros teve que contar com o apoio de toda a equipe, em um exercício contínuo de diálogo e liderança. Ressaltou por diversas vezes a importância do trabalho em conjunto e da responsabilidade do líder em buscar o engajamento das pessoas. “Desfilar não é só colocar uma fantasia bonita e ir para a avenida. O Carnaval é uma engrenagem, e todos têm que se comprometer e executar o seu papel”.

A palestra foi repleta de exemplos de como a união em torno de uma ideia foi fundamental para sua materialização. Os carros alegóricos coreografados e as comissões de frente com truques de mágica foram alguns desses exemplos. Para ilustrar a ideia de que por vezes é preciso “perder a cabeça”, Barros trouxe para o CONARH o membro de uma de suas comissões de frente mais célebres, do Carnaval de 2011 da Unidos da Tijuca. Ao ver a cabeça do rapaz deslizar até o meio do corpo, os participantes do CONARH não esconderam o susto, mas optaram por não saber como a ilusão é feita para não perderem o encanto.

Confiança, percepção sobre o outro, interferência nos conceitos pré-estabelecidos, comprometimento, materialização e enxergar além foram alguns dos temas-chave abordados na apresentação. “Ás vezes temos que mudar conceitos para que isso viabilize o nosso trabalho e o nosso sucesso”, declarou o carnavalesco. Como conclusão, deixou uma mensagem de otimismo e valorização das pessoas. “Toda a nossa vida está pauta em quem está do nosso lado”.

Fotos: Renato Ramalho

Inspirem as suas equipes!

Ser líder é inspirar. Se você reunisse toda a sua equipe e perguntasse quem entre eles sente prazer em trabalhar, quantos você acha que levantariam a mão? Para Kevin Cleary, presidente da Clif Bar, uma famosa (e descolada) fabricante de barrinhas de cereal dos Estados Unidos, ter uma equipe sempre inspirada e engajada é o segredo do seu sucesso. Separamos algumas dicas de mestres do assunto para você alcançar este objetivo.

Crescimento profissional de verdade (Margaret Heffernan – empresária e autora dos livros Willful Blindness e The Naked Truth)

Todo mundo quer ter a chance de crescer, tornar-se um profissional melhor e mais preparado. “Quando eles sentem que estão crescendo, podem até estar cansados, mas estão também inspirados, energéticos e querendo fechar um grande acordo”, conta Margaret Heffernan. É por isso que, segundo ela, todos os profissionais da sua equipe devem ter um plano de crescimento e participar de treinamentos. “Isso vai manter todo mundo engajado, ocupado e, eventualmente, feliz”.

Uma comunidade forte e orgulhosa (Margaret Heffernan)

Você sente orgulho da sua empresa? Este é um sentimento que todos os funcionários deveriam nutrir em relação ao lugar onde estão durante a maior parte do tempo que passam acordados. Margaret Heffernan explica que alguns produtos e serviços, aqueles com um propósito nobre, como uma fabricante de vacinas, por exemplo, já são motivo de orgulho. Se este não é o seu caso, a recomendação da autora é engajar os funcionários em ações sociais. “Você deve envolver todos os seus funcionários, deve ser ativo, público, visível e duradouro. Algumas empresas até deixam que eles escolham quais causas ou caridades irão ajudar. Quanto mais engajados a estes compromissos, mais significativo será para eles”.

Este é o SEU trabalho! Dedique-se! (Matthew Swyers – fundador do The Trademark Company)

Você é um líder na empresa e precisa inspirar sua equipe, mas está passando por um dia ruim, está infeliz ou mesmo desmotivado. Bem, a dica de Matthew Swyers é curta e grossa: “não importa. Deixe isso do lado de fora da porta da empresa”. Se inspirar a equipe é parte das suas responsabilidades, faça isso sempre e não apenas quando você está de bom humor!

Sua felicidade pessoal é algo que você deve levar para o trabalho. (Rebeca Hwang – CEO da YouNoodle)

“A verdade é que pessoas infelizes são muito menos criativas, produtivas e certamente têm menos sorte”, fala Rebeca Hwang, jovem fundadora do YouNoodle. Bem, esta frase basicamente explica todo o texto, afinal estamos buscando maneiras de fazer com que as pessoas sejam mais felizes no trabalho para que, consequentemente, sejam mais produtivas e criativas. Mas o que Rebeca realmente quis dizer é: seja feliz fora da empresa, faça as coisas que você gosta com as pessoas com quem se importa e leve esta felicidade e empolgação para o seu ambiente de trabalho.

photo credit: sometimesong via photo pin cc

Liderança corporativa: confiança é fundamental

Em sua palestra no CONARH, a especialista em gestão organizacional e inovação Leila Navarro falou sobre a importância da confiança para exercer a liderança corporativa. Segundo a palestrante, para ser confiante é preciso, primeiramente, entender o que é ser líder. “Ser líder é estar preparado para agir e tomar atitudes. Sempre de acordo com os seus princípios”, afirma.

O Brasil atravessa um bom momento econômico e se prepara para se tornar, em breve, a 5º maior economia mundial. O problema é que as pessoas não acreditam no potencial do país. Prestes a receber a Copa do Mundo e as Olimpíadas, ainda duvidamos de nossa capacidade de realizar os eventos com sucesso. Comportamento reprovado por Leila. “Mais do que nunca, precisamos ser autoconfiantes ou realmente vamos passar vergonha em frente ao mundo inteiro”, declara.

A mesma situação se reflete no ambiente corporativo. Um líder precisa confiar em si para transmitir segurança para a sua equipe. Se ele mesmo não acredita no seu trabalho, com certeza, ele não conseguirá alcançar suas metas. Com confiança, no entanto, as pessoas trabalham para chegar a um objetivo incomum. “Quando você adquire autoconfiança, você se torna comprometido com o impossível, com as pessoas”, opina Leila.

Executivo da General Eletric fala sobre liderança e gestão

Bob Corcoran, vice-presidente de gestão corporativa da General Eletric (G&E),  abordou questões sobre liderança durante a palestra “A fábrica de líderes: como identificar, desenvolver, engajar e reter líderes” no 37° CONARH.

O executivo destacou a importância do interesse pelo trabalho ser inserido no cotidiano dos jovens, especialmente entre os estudantes. Segundo Bob, essa medida beneficia a identificação de jovens talentos. “Eles querem fazer alguma coisa, não podem viver somente a base de livros”, comentou Corcoran sobre a necessidade de incentivar a prática.

Outra recomendação feita pelo executivo foi a importância de os líderes serem exemplos para os colaboradores. Para ele, um líder precisa se comunicar com os seus colaboradores e essa relação deve ser o mais clara possível. Daí a necessidade de adaptar questões como discurso e postura. “O elemento chave é haver parceria entre o colaborador e seu líder. Os líderes mais importantes, eficazes e determinantes foram seguidos e é importante que as pessoas queiram isso”, revelou o executivo.

Quando questionado sobre o papel que a área de recursos humanos poderia exercer a favor da sustentabilidade, Bob Corcoran recomendou que os profissionais levantassem questionamentos entre os colaboradores. Perguntas como “por que você não desliga a sua máquina?” ou “por que usar tantas folhas de papel?” são importantes para que as pessoas comecem a desenvolver consciência sobre a importância de tomar atitudes que preservem o meio ambiente.

Ser ou não ser líder?

Por Raissa Coppola

Liderança é um assunto polêmico. Alguns profissionais têm de sobra, outros ficam devendo. Muitos consultores e estudiosos da área de recrutamento e seleção afirmam que essa característica nasce com o empregado; outros garantem que essa qualidade pode ser incorporada e aprimorada ao longo da vida profissional. Para esclarecer a questão, o blog da ABRH-Nacional conversou com a vice-presidente da associação, Elaine Saad.

Primeiramente, segundo Elaine, é preciso explicar que existem vários tipos de liderança, diferentes tipos de líderes e situações particulares em que alguém assume essa posição. Um líder é alguém que influencia e consegue transmitir confiança, segurança e força. “São pessoas que, por razões específicas, conseguem motivar um time e fazer com que ele trabalhe em prol de um benefício maior”, afirma Elaine.

Os líderes podem ser divididos em: (1) autoritário, aquele que determina as ideias e cobra obediência da equipe; (2) indeciso, que não assume responsabilidades e demonstra insegurança; (3) democrático, que trabalha pelo time e se preocupa com a satisfação coletiva; (4) liberal, que dá total liberdade ao grupo, mas acaba participando pouco das ações; (5) situacional, sem personalidade e sem firmeza em momentos de decisão; e, finalmente, o (6)  emergente, que assume a liderança diante de uma situação inesperada, mas que conquista o grupo e trabalha pelo reconhecimento geral.

Enquanto alguns profissionais rejeitam essa alcunha, outros fazem questão de ter a liderança como característica em seu perfil profissional. Haveria então alguma receita para uma pessoa se tornar mais líder? Segundo Elaine, é possível melhorar, mas a chave para alcançar esse status é o autoconhecimento. “Para liderar uma equipe, você precisa entender se gosta disso e se quer isso para si. Liderança é cuidar do seu trabalho e ainda ajudar os outros nos deles”, explica.

A executiva ainda faz questão de desmistificar a relação entre esse atributo e a realização profissional. “A liderança acontece naturalmente ou quando a buscamos. Seja como for, ela não deve ser o foco, mas sim uma condição em nossa carreira”, destaca.