A importância do aprendizado no mercado de trabalho

Por Rafael Duarte

“Muitos dos fundadores de empresas com que eu falei ao longo dos anos estavam, de certa forma, passando por um dilema. O papel deles estava mudando, ou eles precisavam repensar estratégias de crescimento. Para lidar com estas questões, muitos deles estavam participando de seminários. Eu decidi fazer um destes cursos para descobrir o que um professor pode ensinar a executivos bem sucedidos sobre uma companhia em crescimento”. Este depoimento de John Grossman* soa atual para você? Acredite ou não, ele foi dito em 1988!

Especialização e capacitação sempre, ou pelo menos há um bom tempo, foram preocupações de executivos que não queriam que seus negócios ficassem estagnados. Mas não se limita aos cargos de chefia: as pessoas de todos os níveis hierárquicos dentro da sua empresa provavelmente querem fazer treinamentos, cursos ou faculdades para crescer na carreira. Esta é, inclusive, uma boa maneira de reter talentos e fidelizar a equipe.

Ter uma equipe continuamente em treinamento e aperfeiçoamento não é apenas uma ação importante para as suas carreiras, mas para a produtividade da empresa em si. Segundo a revista Fortune, as empresas que estão em sua lista das 100 melhores investem em média um bilhão de dólares por ano com programas de treinamento, o que podem significar parcerias com universidades, contratação de instrutores certificados ou ainda a criação de uma universidade dentro da própria companhia (no caso das maiores).

De 1988 para cá muita coisa mudou, mas não a ânsia por aprendizado. Os cursos são outros, as faculdades passaram a ter um papel introdutório para muitos profissionais, os MBAs ficaram mais acessíveis (agora não é mais preciso passar seis meses estudando em países estrangeiros), as pós-graduações são focadas no mercado. O lado acadêmico, o qual John Grossman procurava na universidade, que seria capaz de ensinar algo aos grandes executivos sobre os seus próprios negócios, foi substituído por uma versão mais prática e global de especialização.

Se você quer construir uma carreira de sucesso provavelmente sabe que terá de ralar muito para aprender cada vez mais sobre a sua área. Saiba que as pessoas com quem você trabalha também pensam da mesma forma e, se você enquanto profissional de Recursos Humanos puder ajudá-las a evoluir, criando programas e ações, com certeza criará uma equipe mais preparada, mais feliz, mais fiel e mais produtiva. É uma relação win-win, pois mesmo com os gastos necessários, empresa e funcionários saem ganhando.

*John Grossman é editor do jornal norte-americano de negócios NewsReach e autor de livros sobre o assunto.

Anúncios

Enquete da ABRH mostra que profissionais querem mais qualidade de vida em 2012

No final do ano passado, preparamos uma enquete para saber o que as pessoas esperam realizar em 2012. Os resultados pareciam tão peculiares que resolvemos chamar Cezar Tegon, Diretor de Novos Serviços e Produtos da ABRH-Nacional e presidente da eLancers, para analisá-los e compará-los com as mais recentes pesquisas no meio corporativo. Foi aí que percebemos que os nossos resultados estão perfeitamente alinhados com a realidade do mercado.

A começar pela “qualidade de vida”, a opção mais votada na enquete (28% dos votos), inclusive à frente de “ganhar um salário maior” (25%). “Esse resultado já era esperado. Qualidade de vida é o desejo de todos os profissionais, pois engloba uma série de fatores. Entre eles podemos destacar horários flexíveis, morar mais próximo ao local de trabalho, trabalhar remotamente, liberdade de atitudes e opiniões, acessar redes sociais durante o expediente, espaços para descontração”, exemplifica Tegon.

Existe uma explicação para esta tendência: no final da equação, qualidade de vida pode compensar monetariamente um salário maior. Como? “Se você estiver mais perto de casa, gastará menos combustível e poderá até economizar em estacionamento; se demorar menos tempo para se deslocar, ganhará tempo para a prática de atividades físicas e, consequentemente, ficará menos doente”, explica Cezar.

Outro ponto em comum da nossa enquete com as pesquisas é que os “fins” são mais atraentes do que os “meios”. Apenas 7% das pessoas gostariam de começar um MBA e apenas 4% viajariam ao exterior para se especializar. “É comum as pessoas escolherem primeiro o que desejam e depois o que precisam fazer para alcançar estes desejos”, aponta o diretor.

Em último lugar na enquete, “trabalhar menos” alcançou modestos 3% dos votos, mas também não foi uma surpresa. É claro que você conhece dezenas de pessoas que reclamam trabalhar demais, porém diminuir a carga horária parece não ser a prioridade aqui. “Se você faz o que gosta, na empresa que gosta, com pessoas que gosta, e ainda faz parte de um ambiente que, na sua visão, oferece qualidade de vida, com certeza chegará em casa com mais disposição e dará menos valor à possibilidade de trabalhar menos”, afirma Cezar Tegon.

Pelo visto, qualidade de vida não é apenas a primeira opção mais votada, mas também o motivo pelo qual as pessoas não votaram nas outras. Na semana que vem, traremos dicas de Cezar Tegon para quem quer alcançar as metas em 2012.

Como escolher o melhor curso de Pós-Graduação

por Taynã Almeida

Na hora de ingressar numa pós-graduação, muitas pessoas ainda ficam na dúvida se devem escolher em curso tradicional de especialização ou um MBA. De acordo com o diretor de Educação da ABRH-Nacional, Luiz Edmundo Rosa, os programas de Pós- Graduação se dividem em duas categorias: Stricto Sensu (direcionado para a formação cientifica e acadêmica, como mestrado e doutorado) e Lato Sensu (curso de especialização direcionado a uma área profissional).

A especialização tradicional tem, em média, 360 horas de conteúdo programático (1 a 2 anos de curso). Ela tem um perfil mais acadêmico e genérico, sempre concluída com um projeto final uma monografia ou artigo científico. O curso também contempla uma maior pluralidade de temas, buscando a formação multidisciplinar do aluno.

Já o MBA (Master of Business Administration) tem carga mínima de 400 horas (em média, 2 anos de curso) e considera como pré-requisito a experiência profissional anterior dos alunos O enfoque é mais voltado para a rotina empresarial e preparação de executivos e futuros líderes. O projeto prático de conclusão do curso normalmente traz uma simulação de desafios empresariais, como abertura de capital, fusão e lançamento de uma nova linha de negócio.

Para Luiz Edmundo, muitos cursos de MBA no Brasil são superficiais, quando comparados com os melhores programas internacionais. Apesar dessas diferenças, o diretor afirma que as especializações são bem-vindas no mundo empresarial. “As empresas não avaliam seus colaboradores apenas pelos programas que fizeram. Também levam em conta suas atitudes, comportamentos e resultados”, explica.

Entretanto, é importante pesquisar sobre os cursos. A falta de informações, orientações e até mesmo decisões precipitadas podem representar um enorme revés para os estudantes. Isso porque não são poucos os que optam por programas distantes de seus interesses e competências, gerando um sentimento de frustração. “A questão não está no erro, mas no desperdício de tempo e dinheiro. É essencial que as pessoas, antes de tomar uma decisão, procurem se informar, não só acessando folhetos, sites, coordenadores dos programas, mas também conversando com alunos, ex-alunos e profissionais mais experientes.”, orienta Luiz Edmundo.

Estudar sempre promove a capacidade de pensar, entender novos valores e possibilidades. Por entender isso, algumas empresas oferecem ajuda para que os profissionais escolham determinados cursos. “Quando a empresa financia o curso, o ideal é negociar a melhor convergência dos objetivos de ambos. Não tem sentido alguém se especializar em algo que não tenha interesse, assim como a empresa não deveria financiar algo que a pessoa não se sinta motivada. O jogo do ‘faz de conta’ é prejudicial a ambos”, destaca o diretor.

Internacionalização do Brasil promoveu boom de MBAs

Maria Tereza Leme Fleury, Diretora da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas, participa do CONARH 2009, onde vai debater a educação executiva no Brasil. Segundo ela, o Brasil tem mais de 3 mil escolas e 80 programas de pós-graduação em administração de empresas, um número bastante elevado. Esse boom de escolas de administração intensificou-se a partir dos anos 90, com a abertura da economia brasileira. Segundo ela, as críticas às empresas de administração, em função da crise econômica, também atingiu o Brasil, o que vem promovendo uma mudança dos currículos escolares. Veja no vídeo abaixo a primeira parte da entrevista com a palestrante do CONARH 2009.

Você pode assistir a todos os trechos da entrevista com Maria Tereza Leme Fleury no Canal de vídeos do CONARH no YouTube